sexta-feira, 11 de abril de 2008
Devaneio Consistente, pelo mestre divagador Aldous Huxley (trecho extraído do livro "Também o Cisne Morre")
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Europerniciosa, por Rodrigo Colla
Perdoe-me Pai por fazer parte disto
Por andar no rumo deles omisso
Por passar pelo lado de fora da vida
E, inerte, vê-la cercada como prisioneira
Rotulada como “área de preservação”
Parte de uma coisa (merda) maior chamada “Jardim Europa”
Nada disso é Europa
Embora impregnado com a sua mácula sórdida
Nada daqui os pertence
Muito menos esta flora
Embora cercada com suas grades
Nem o choro, nem a bossa nova,
Nem o nosso samba
Nem o choro de novo
Desta vez com a lágrima
Daqui nada os pertence, nada
Embora os atraiamos para investimentos
E com regalos e carícias os adulemos
Embora tantos emboras
Não somos o seu jardim
Nem anões do seu quintal
Nem seus fantoches satisfeitos
Em pantomimas de um eterno carnaval
Aqui também se pensa
Aqui há quem repudie a sua presença
Sua Europerniciosieade fraudulenta
Aqui há quem possa se dizer brasileiro
Quem ainda empunhe arco e flecha contra seus veleiros
Quem desvende as suas mentiras
E firme e categoricamente diga
Sim, foram vocês, o Velho Mundo
Que visando apenas o seu cu e o lucro
Nos conveses das suas caravelas
Trouxeram-nos a dor e as favelas
E embora nossos pseudoeuropeus frustrados os implorem
Um remédio para a miséria da colônia
Não queremos suas migalhas
Europerniciosa metrópole Babilônia
Portanto, embora os emboras
Embora daqui Europa